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As quatro correntes de Umbanda Por Rubens Saraceni

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As quatro correntes de Umbanda

Por Rubens Saraceni
 


Se a Umbanda é uma religião nova, seus valores religiosos fundamentais são ancestrais e foram herdados de culturas religiosas anteriores ao Cristia­nismo.

A Umbanda tem na sua base de informação os cultos afros, os cultos nativos, a doutrina espírita kardecista, a religião católica e um pouco da religião oriental (budismo e hinduísmo) e também da magia, pois é uma religião magística por excelência o que a distingue e a honra, porque dentro dos seus templos a magia é combatida e anulada pelos espíritos que neles se manifestam incorporando nos seus médiuns.

Dos elementos formadores das bases da Umbanda surgiram as sua principais correntes religiosas, as quais interpretamos assim:

 

1ª Corrente: Formada pelos espíritos nativos que aqui viviam antes da chegada dos estrangeiros conquis­tadores.  Esses espíritos já conheciam o fenômeno da mediunidade de in­corporação, pois o xamanismo multi­milenar já era praticado pelos seus pajés em suas cerimônias. Eles já acreditavam na imortalidade do espírito, na exis­tência do mundo sobrenatural e na ca­pa­cidade de “os mortos” interferirem na vida dos encarnados. Também acredi­tavam na existência de divindades associadas a aspectos da natureza e da Criação Divina. Tinham um panteão ao qual temiam, respeitavam e recor­riam sempre que se sentiam ameaçados pela natureza, pelos inimigos ou pelo mundo sobrenatural. Também acredi­tavam na existência de espíritos malig­nos e de demônios infernais, mas sem a elaboração da religião cristã que aqui se estabeleceu.

 

2ª Corrente: Os cultos de nação africana, sem contato com os nativos bra­sileiros, tinham essas mesmas cren­ças, só que mais elaboradas e muito bem definidas. Seus sacerdotes prati­cavam rituais e magias para equilibrar as influências do mundo sobrenatural sobre o mundo terreno e também para equilibrar as pessoas.

Acreditavam na imortalidade dos es­píritos e no poder deles sobre os en­carnados, chegando mesmo a criar um culto para eles (o culto de egungum dos povos nigerianos).

Também cultuavam os ancestrais por meios de ritos elaboradíssimos e que perduram até hoje, pois são um dos pilares de suas crenças religiosas.

Sua cultura era transmitida oral­men­te de pai para filho, na forma de lendas, preservando conhecimentos mui­to antigos, como a criação do mun­do, dos homens e até eventos análogos ao dilúvio bíblico.

A Umbanda herdou dos cultos de nação afro o seu vasto panteão Divino e tem no culto às divindades de Deus um dos seus fundamentos religiosos, tendo desenvolvido rituais próprios do religamento do encarnado com sua divindade.

O panteão Divino dos cultos afros era pontificado por um Ser Supremo e povoado por divindades quês são os executores e manifestadores Dele junto aos seres humanos, assim como são seus auxiliares Divinos que o ajudaram na concretização do mundo material, de­mons­trando-nos que, de forma simples, tinham uma noção exata, ainda que limitada por fatores culturais, da forma como se nos mostra Deus e seu universo Divino.

 

3ª Corrente: Formada pelos kar­decistas de mesa, que incorporavam espíritos de índios, de ex-excravos negros, de orientais, etc. Criaram a corrente denominada “Umbanda Bran­ca”, nos moldes espíritas, mas na qual aceitavam a manifestação de caboclos, pretos-velhos e crianças.

Esta corrente pode ser descrita como um meio termo entre o espiritismo, os cultos nativos e os afros, pois se fun­damenta na doutrina cristã, mas cultua valores religiosos herdados dos índios e negros.

Não abre seus cultos com cantos e atabaques, mas sim com orações a Jesus Cristo.  As suas sessões são mais pró­ximas dos kardecistas que das um­bandistas genuínas, que usam cantos, palmas e atabaques.  Seus membros se identificam como Espíritas de Umbanda.

 

4ª Corrente: A magia é comum a toda a humanidade e as pessoas re­correm a ela sempre que se sentem ameaçadas por fatores desconhecidos ou pelo mundo sobrenatural, principal­mente pela atuação de espíritos malig­nos e por processos de magia negra ou negativa.

Dentro da Umbanda, o uso da ma­gia branca ou magia positiva se disseminou de forma tão abrangente que se tornou parte da religião, sendo impossível separar os trabalhos religiosos espiri­tuais puros dos trabalhos espirituais má­gicos.  Muitas pessoas desconhecem a magia classificada como magia religiosa. Mas esta nada mais é que a fusão da religião com a magia.

Estas são as principais correntes religiosas e doutrinarias que formam as bases da Umbanda. E isso sem falarmos do sincretismo religioso, pela qual a religião católica nos forneceu as suas imagens que, colocadas em nossos al­tares, facilitaram o processo de tran­sição de católicos para a Umbanda.

A estrutura religiosa espiritual da Umbanda já está pronta e só falta ser estruturada aqui, no plano material, pa­ra dar-lhe uma feição uniforme, quando seus valores religiosos e seus funda­mentos Divinos serão definitivos, dei­xan­do de mudar ao sabor das suas cor­rentes mais expressivas.

Os mensageiros espirituais nos aler­tam que esta estruturação deve ser feita de forma lenta e muito bem pen­sada. Nós temos certeza de que no fu­tu­ro a Umbanda terá uma feição re­ligiosa muito bem definida, pois suas cor­rentes formadoras se unificarão e se uniformizarão, fortalecendo a Umbanda como religião.

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