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Portais de Luz » Religiões » Catolicismo » A Mulher de Jesus

A Mulher de Jesus

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1 A Mulher de Jesus em Dom Nov 11, 2012 6:42 pm

2) Se Jesus era casado, há alguma indicação nos Evangelhos sobre a identidade da sua mulher?

Numa primeira consideração, parecia haver duas possíveis candidatas - duas mulheres, para além da sua mãe, que são repetidamente mencionadas nos Evangelhos como pertencendo à sua comitiva. A primeira é Madalena - ou, mais precisamente, Maria da aldeia de Migdal, ou Magdala, na Galileia. Nos quatro Evangelhos, o papel desta mulher é singularmente ambíguo e parece ter sido deliberadamente obscurecido. Nos relatos de Marcos e Mateus, só bastante tarde é mencionada pelo nome. Quando finalmente aparece, é na Judeia, na altura da Crucificação, e conta-se entre os seguidores de Jesus. Contudo, no Evangelho de Lucas, aparece numa fase relativamente inicial do ministério de Jesus, quando este ainda está a pregar na Galileia. Parece pois que ela o terá acompanhado da Galileia até à Judeia - ou então, pelo menos que se desloca entre as duas províncias com tanta facilidade como Jesus se deslocava. Isto, por si só, sugere fortemente que ela era casada com alguém. Na Palestina do tempo de Jesus seria impensável uma mulher solteira viajar sem companhia - e, ainda mais, acompanhada por um professor religioso e pela sua comitiva. Várias tradições parecem ter reconhecido este facto potencialmente embaraçoso. Assim, afirma-se por vezes que Madalena era casada com um dos discípulos de Jesus. No entanto, se fosse esse o caso, a sua relação especial e a sua proximidade com Jesus tê-los-iam sujeitado ambos a suspeitas, se não mesmo a acusações, de adultério.
Independentemente da tradição popular, nunca se diz, em parte alguma de nenhum dos Evangelhos, que Madalena era uma prostituta. A primeira vez que é mencionada, no Evangelho de Lucas, é descrita como uma mulher "da qual saíram sete demónios". Parte-se geralmente do princípio que esta frase se refere a uma espécie de exorcismo feito por Jesus, implicando que Madalena estava "possuída". Mas a frase pode igualmente referir-se a alguma espécie de conversão e/ou rito de iniciação. Por exemplo, o culto de Ishtar ou Astarte - a Deusa-Mãe e "Rainha dos Céus" - envolvia uma iniciação em sete fases. Antes da sua afiliação com Jesus, era possível que Madalena estivesse associada com um culto desse género.

Um capítulo antes de falar de Madalena, Lucas alude a uma mulher que ungiu Jesus. No Evangelho de Marcos há uma unção semelhante, feita por uma mulher não identificada. Nem Lucas nem Marcos identificam explicitamente esta mulher como sendo Madalena. Mas Lucas informa que era uma "mulher caída", uma "pecadora". Comentadores posteriores partiram do princípio que Madalena, uma vez que aparentemente lhe tinham sido retirados sete demónios, devia ter sido uma pecadora. Nesta base, a mulher que unge Jesus e Madalena acabaram por ser vistas como a mesma pessoa. Na verdade, é possível que assim seja. Se Madalena estivesse associada a um culto pagão, isso faria certamente dela "pecadora" aos olhos não só de Lucas mas também dos escritores posteriores.
Se Madalena era uma "pecadora", era também, bastante claramente, algo mais do que a "prostituta vulgar" que a tradição popular fez dela. Era obviamente uma mulher de posses. Lucas, por exemplo, informa que os amigos dela incluíam a mulher de um alto dignitário da corte de Herodes - e que ambas as mulheres, juntamente com várias outras, apoiavam Jesus e os discípulos com os seus recursos financeiros. A mulher que ungiu Jesus era também uma mulher de posses. No Evangelho de Marcos coloca-se uma grande ênfase no custo do unguento de nardo com o qual é desempenhado esse ritual.
Todo o episódio da unção de Jesus parece ser uma questão de considerável importância. Por que outra razão seria tão enfatizado pelos Evangelhos? Dada a sua proeminência, parece ter sido mais do que um gesto espontâneo e impulsivo. Parece ter sido um ritual cuidadosamente premeditado. É preciso recordar que a unção era uma prerrogativa tradicional dos reis - e do "Messias legítimo", que significa "o ungido". Daqui, depreende-se que Jesus se tornou um autêntico Messias em virtude da sua unção. E a mulher que o consagra nesse augusto papel, dificilmente pode ter sido alguém insignificante.

Seja como for, é claro que Madalena, no final do ministério de Jesus, se tornara já numa figura de imensa importância. Nos três Evangelhos Sinópticos, o seu nome encabeça consistentemente as listas de mulheres que seguiam Jesus, tal como Simão Pedro encabeça as listas de discípulos masculinos. E, claro, ela foi a primeira testemunha do túmulo vazio, após a Crucificação. Entre todos os seus devotos, foi a Madalena que Jesus escolheu revelar primeiro a sua Ressurreição.

Ao longo dos Evangelhos, Jesus trata Madalena de forma única e preferencial. Este tratamento pode perfeitamente ter causado inveja em outros discípulos. Parece bastante óbvio que a tradição posterior se esforçou por denegrir os antecedentes de Madalena, embora não o seu nome. É possível que o retrato que dela é apresentado como meretriz, tenha origem nos excessos de seguidores vingativos, decididos a impugnar a reputação de uma mulher cuja associação com Jesus era mais próxima que a deles, inspirando-lhes assim o sentimento, tão humano, da inveja. Se outros "cristãos", quer durante a vida de Jesus quer depois, se ressentiam do laço único que Madalena partilhava com o seu líder espiritual, é possível que tenha existido uma tentativa de a diminuir aos olhos da posteridade. Não há dúvidas de que isso aconteceu. Ainda hoje pensamos nela como uma meretriz, e durante a Idade Média as casas para prostitutas reformadas chamavam-se Madalenas. Mas os próprios Evangelhos testemunham que a mulher que conferiu o nome a estas instituições não merecia ser estigmatizada desta forma.

Independentemente do estatuto de Madalena nos Evangelhos, ela não é a única candidata possível ao lugar de mulher de Jesus. Existe uma outra, que figura de forma mais proeminente no Quarto Evangelho, e que pode ser identificada como Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro. Ele e a família mantinham obviamente relações muito próximas com Jesus. São também abastados, com uma casa num dos subúrbios elegantes de Jerusalém, suficientemente grande para acomodar Jesus e toda a sua comitiva. E mais, o episódio de Lázaro revela que esta casa tinha um túmulo privado, - um luxo algo aparatoso no tempo de Jesus, não só um sinal de riqueza mas também um símbolo de posição, atestando ligações aristocráticas. Na Jerusalém bíblica, tal como em qualquer cidade moderna, a terra era muito valiosa; e apenas muito poucos se podiam dar ao luxo de ter um sepulcro particular.

Quando, no Quarto Evangelho, Lázaro adoece, Jesus tinha deixado Betânia durante alguns dias e está, com os discípulos, junto ao Jordão. Sabendo do que acontecera, demora-se ainda assim dois dias - uma reacção bastante curiosa - e só depois regressa a Betania, onde Lázaro jaz no seu túmulo. Quando se aproxima, Marta precipita-se para ele e grita: "Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido". (João 11:21). É uma afirmação intrigante, pois por que razão a presença física de Jesus teria necessariamente impedido a morte do homem? Mas o incidente é significativo porque Marta, quando recebe Jesus, está sozinha. Seria de esperar que Maria, sua irmã, estivesse com ela. Maria, contudo, está sentada dentro de casa - e não sai enquanto Jesus não lhe ordena especificamente que o faça. A questão torna-se mais clara no Evangelho "secreto" de Marcos, descoberto pelo professor Morton Smith e citado mais atrás neste capítulo. No relato de Marcos que foi suprimido, parece que Maria sai realmente de casa antes de Jesus lhe dar autorização. E é prontamente censurada pelos discípulos, que Jesus se vê obrigado a silenciar.

Seria plausível que Maria estivesse sentada dentro de casa quando Jesus chega a Betania. De acordo com os costumes judaicos, ela estaria a "Shiveh" - sentada a carpir. Mas porque não se junta a Marta e corre para receber Jesus quando este regressa? Existe uma explicação óbvia. Segundo os princípios da Lei Judaica da altura, uma mulher "em Shiveh" estava terminantemente proibida de sair de casa, excepto por ordem expressa do marido. Neste incidente, o comportamento de Jesus e de Maria de Betania conforma-se precisamente com o comportamento tradicional de marido e mulher entre os judeus.

Existem evidências adicionais para um possível casamento entre Jesus e Maria de Betania. Surgem, mais ou menos desligadas, no Evangelho de Lucas: E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços, e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Diz-lhe que me ajude. E, respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, Mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lucas 10:38-42)

Pelo apelo de Marta, parece aparente que Jesus exerce algum tipo de autoridade sobre Maria. Contudo, ainda mais importante, é a resposta de Jesus. Em qualquer outro contexto, não hesitaríamos em interpretar esta resposta como uma alusão a um casamento. Seja como for, sugere claramente que Maria de Bethania era uma discípula tão ávida como Madalena.

Existem razões substanciais para encarar Madalena e a mulher que unge Jesus como uma e a mesma pessoa. Poderia esta pessoa, questionámo-nos nós, ser também uma e a mesma que Maria de Betania, irmã de Lázaro e de Marta? Poderiam estas mulheres que, nos Evangelhos, surgem em três contextos diferentes, ser na realidade uma única pessoa? A Igreja medieval encarava-as como tal, bem como a tradição popular. Muitos estudiosos bíblicos dos dias de hoje concordam. Existem evidências abundantes que apoiam esta conclusão.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e João, por exemplo, todos citam Madalena como estando presente na Crucificação. Nenhum deles cita Maria de Betania. Mas, se Maria de Betania era uma discípula tão devota como parece, a sua ausência seria, no mínimo, um desleixo. Será credível que ela - já para não mencionar o irmão, Lázaro - deixasse de testemunhar o momento climático da vida de Jesus? Essa omissão seria inexplicável e repreensível - a menos, claro, que ela estivesse presente e fosse citada pelos Evangelhos pelo nome de Madalena.

Se Madalena e Maria de Betania forem a mesma pessoa, não se coloca a questão de esta última ter estado ausente na Crucificação.
Madalena pode ser identificada com Maria de Betania. Pode também ser identificada com a mulher que unge Jesus. O Quarto Evangelho identifica a mulher que unge Jesus com Maria de Betania. Na verdade, o autor do Quarto Evangelho é bastante explícito quanto a esta questão:
Estava então enfermo um certo Lázaro, de Betania, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.
E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com unguento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo. (João 11:1-2)
E novamente, um capítulo depois:
Foi pois Jesus seis dias, antes da Páscoa, a Betania, onde
estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dos
mortos.
Fizeram-lhe pois ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era
um dos que estavam à mesa com ele.
Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro,
de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os
pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do
unguento.
(João 12:1-3)

Parece assim claro que Maria de Betania e a mulher que ungiu Jesus são a mesma pessoa. Embora não seja tão claro, é certamente provável que esta mulher seja também Madalena. Se Jesus era realmente casado, parece pois haver apenas uma candidata ao lugar de sua mulher - uma mulher que surge recorrentemente nos Evangelhos sob nomes diferentes e com papéis diferentes.

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